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Como alcancei meu sonho de ajudar as pessoas

Sempre gostei de computadores, a velocidade com que as coisas são feitas com o auxílio de uma máquina dessas sempre me fascinou. Isso para um garoto do interior do Amazonas era simplesmente incrível e também foi primordial para minha escolha profissional desde que eu ainda estava no ensino médio. Isso mesmo, eu era um dos outliers que no ensino médio já sabia bem o que queria fazer o resto da vida, ou pelo menos achava que sabia. 😀

Foi assim que entrei para Engenharia e Processamento de Dados (ao mesmo tempo) na UEA – Universidade do Estado do Amazonas (como podem ver eu sou meio maluco). Contudo, no começo do segundo ano da faculdade, tive que trabalhar para sustentar minha família e tentar concluir uma das graduações. Foi aí que tive que fazer a escolha mais difícil da minha vida: decidi trancar Engenharia para trabalhar durante o dia e terminar Processamento de Dados durante a noite. Não foi nada fácil, ainda não estava em período de estágio e tive que me aventurar no mercado. Trabalhei como “menino de TI”, vendedor, consultor, analista de informática e outros. Até que um dia, finalmente consegui passar em uma seleção de uma das maiores empresas de tecnologia de Manaus, a FPF Tech. Me ofereceram um salário de desenvolvedor trainee (muito, muito abaixo do que já recebia) e topei na hora, sem pestanejar!

Os anos na FPF Tech foram ótimos, aprendi muito e recebi várias promoções. Afinal, quando você vem de muito baixo, existem vários degraus para subir. Nesse período, me formei e finalmente podia dizer que eu era um desenvolvedor. Em meu trabalho de conclusão de curso, desenvolvi uma solução sensível ao contexto baseada em TV Digital Interativa para fornecer informações sobre o trânsito (nesse tempo o Waze ainda nem era famoso). Estava tentando realizar um sonho antigo de desenvolver algo para ajudar pessoas, mas infelizmente não chegou a virar um produto – a essa altura, a TV Digital não tinha mais tanta força e a “moda dos aplicativos mobile” se iniciava.

Durante um bom tempo ajudei a desenvolver aplicativos para várias empresas, aplicativos que depois da entrega não tínhamos mais notícias. Até que uma palestra do Henry Silva Vieira, que na época era funcionário da FPF Tech, que falava sobre a “Metodologia da pesquisa científica”, me fez refletir sobre minha rotina na empresa. Deduzi que eu podia fazer mais do que aquilo. Senti que ainda poderia tentar realizar meu antigo sonho de desenvolver algo para ajudar as pessoas. E adivinha o que eu fiz? Decidi fazer Mestrado!

Escrevi minha proposta de mestrado, me inscrevi no processo seletivo e encarei o desafio (sim, eu pedi demissão da FPF Tech para viver de uma bolsa de mestrado no Brasil! Como podem ver, na verdade sou bem maluco!). Foi então que conheci o professor Dr. Altigran Soares da Silva, que tinha um projeto bem cabuloso para ser feito, e me perguntou se eu topava o desafio. Não pensei duas vezes e comecei a trabalhar na pesquisa, que era basicamente substituir uma solução para avaliação de conferências manual por uma nova solução totalmente automática, utilizando recursos de Recuperação de Informação e Aprendizagem de Máquina. Bem, como vocês devem imaginar, eu não conhecia nada dessas áreas, minha formação não tinha sido em Ciência da Computação e isso tornou todo o meu mestrado ainda mais desafiador do que eu imaginava.

Quando terminamos, o professor Altigran me informou que alguns pesquisadores de outros países se interessaram pela nova solução e queriam utilizá-la para atualizar a classificação das conferências em seus países. Isso pra mim foi muito bom, parecia que finalmente eu estava conseguindo ajudar as pessoas. Contudo, foi enquanto estava trabalhando nas melhorias da nossa solução que caiu a ficha – não sei se vocês já sabem disso, mas no Brasil a vida financeira de um pesquisador não é nada fácil, e quando se é acadêmico a coisa piora. Assim, tive que abrir mão (temporariamente) do doutorado, e foquei nas melhorias para os gringos enquanto corria atrás de voltar para o mercado de trabalho.

Entregamos a nova versão e percebi que em Manaus o mercado não tinha mudado muito. Na verdade, a única diferença era que agora estava em crise. No entanto, fazendo buscas no Linkedin, percebi que a maioria das empresas que realmente trabalhavam com inovação e tecnologias relevantes, aquelas que fazem a diferença na vida das pessoas, estavam no sudeste e isso me fez refletir. “Minha esposa é de Minas Gerais, a família dela é toda de lá. Esse estado fica no sudeste. É hora de nos mudarmos para o sudeste!”. Foi aí que, batendo um papo com o professor Altigran, fiquei sabendo das startups de lá (ele morou em Minas durante muito tempo e tinha muitas informações). Ele me falou muito bem sobre algumas empresas, inclusive o Méliuz (me mostrou até o recruiterbox deles). Senti que ali poderia realizar esse antigo sonho de ajudar as pessoas.

Algumas semanas se passaram, já tinha atualizado meu currículo e comprado as passagens. Eu planejava levar minha esposa e meu filho para visitar a família dela enquanto tentaria contato com as startups. Se conseguisse emprego em uma delas, já iniciaria meu processo de adaptação para comer tanto queijo (hahahaha). Acontece que, de repente, recebi uma ligação do professor Altigran dizendo que o professor Dr. Edleno Silva de Moura e ele queriam falar comigo.

Ao chegar nessa reunião, os dois me contaram uma história tão fantasiosa que se não fosse contada por eles nunca teria acreditado. Era a história de 3 caras malucos que vieram para Manaus a fim de convencer o professor Edleno a trabalhar no Méliuz em BH, mas foram convencidos a estabelecer uma sede do Méliuz aqui, em Manaus. Assim, eles me fizeram a proposta de trabalhar no Méliuz, mas na minha cidade. Não pensei duas vezes e já aceitei! Precisava ao menos conhecer esses caras! Mas antes, fui tirar férias com a família em Minas Gerais.

Quando voltei, já tínhamos um desafio mega cabuloso de fazer um aplicativo em poucos dias para a Black Friday. Esse aplicativo já evoluiu bastante desde então, com mais de 500 mil downloads, muitos elogios e comentários mega interessantes. Atualmente, trabalho em outros produtos do Méliuz, mas toda semana recebo e vejo novas notícias falando sobre o sucesso de nossos produtos, mostrando que nosso esforço está valendo a pena. Hoje, posso dizer com toda certeza que finalmente estou realizando meu antigo sonho de ajudar as pessoas (\o/\o/\o/).

Leonardo Nascimento
Desenvolvedor – Engenharia