ju pronto

De Jogadora de Vôlei a Professora e Product Manager (oi?)

Ei, tá joia?

Já vou avisando que vai ser textão, porque a história é um pouco longa, mas vai fazer sentido se você chegar até o final, prometo!

Minha infância foi um pouco diferente da infância da maioria das pessoas. Antes de me fixar em BH, morei em 12 cidades em 3 países diferentes. Tudo isso por conta da profissão do meu pai. Mas porque eu estou contando isso? Vocês vão entender. Essa vida nômade me permitiu conhecer muita gente (o que me fez falar um pouco demais e com a escrita, pelo jeito, fiquei igual), conhecer novas culturas e me adaptar facilmente a novos lugares. Outro ponto importante é que as mudanças fizeram com que minha família (eu, meus pais e meus irmãos) ficássemos muito unidos e, logicamente, fez com que eu tivesse características profissionais baseadas nisso, principalmente a inquietude de ficar muito tempo sem novidades e desafios.

Você deve estar se perguntando: “mas que raio de carreira tem seu pai?”. Meu pai é técnico de voleibol. Ter em casa um ídolo e treinador me fez brilhar os olhos e seguir por essa carreira por bons 10 anos. Joguei primeiro na Itália, fui federada em Ribeirão Preto, onde peguei gosto pela coisa, e ao mudar para Belo Horizonte, joguei pelo Minas Tênis Clube e pelo Olympico. O vôlei me fez ter muita disciplina – aprendi a trabalhar em equipe, sob pressão, a ser líder quando necessário e ser liderada em vários outros momentos -, a ser competitiva (até na purrinha, confesso!) e, cada vez mais, percebo a relação que o esporte tem na minha carreira.

Continuando com as confissões: minha visão de futuro era ser jogadora de voleibol, mas apesar de amar muito o esporte, minha carreira não foi por esse caminho. As coisas foram tomando outros rumos e eu estava sem foco! Para vocês terem uma noção, prestei vestibular para engenharia, direito, arquitetura, administração e design. Passei no vestibular para design na UEMG e entrei. No começo, admito que não gostei muito da faculdade até ter a oportunidade de entender o que era design na sua essência, me apaixonar por isso, me formar e mudar de área.

Ainda na faculdade, percebi que não me encaixava nos modelos de negócios tradicionais da área e tive certeza que não queria trabalhar no formato que eram as empresas. Diante disso, entrei para o CDE (Centro Design Empresa), onde pude começar a lidar com empresas reais e aplicar a inteligência e metodologias do design para solucionar os mais diversos problemas dos usuários, desde uma questão conceitual, de posicionamento de marca, até um problema ergonômico de produto.

Porém, estava me formando e precisava direcionar minha carreira. Foi então que surgiu a oportunidade de um projeto do SEBRAE, chamado ALI (Agente Local de Inovação). O objetivo do programa era compreender o grau de maturidade das empresas e auxiliar na evolução das mesmas a partir da implementação de práticas inovadoras. Optei por atuar no ramo de Alimentação. Mercado difícil, em sua maioria familiar, mas com um potencial gigante e com uma paixãozinha por comida ali guardada desde sempre. Lá, tive a oportunidade de aprender com um mercado em ascensão em BH e me sinto orgulhosa de ter visto tanta gente foda crescer e virar referência. Vi e auxiliei empresas a triplicarem o faturamento, diminuírem em até 50% o desperdício, aprimorar o relacionamento com funcionários , entre tantos outros resultados. Foi um época tanto de aprendizagem de técnicas e ferramentas, como de posicionamento profissional, relacionamento interpessoal e de muito networking.

Quase no final do ALI, a UEMG reapareceu (nunca larguei o osso de verdade) com minha outra paixão (dá pra ter várias, não dá?): ensinar! Fui convidada pelo professor que sempre admirei, André Mol, a dar aula de Metodologia Aplicada ao Projeto de Design e Empresas Orientadas Pelo Design. A primeira matéria era ministrada para o curso de Design de Ambientes, e a outra era uma matéria com multidisciplinaridade de cursos, todos da escola de Design, onde trazíamos casos reais do mercado e tínhamos uma troca muito rica. Depois eu vou contar que continuo com essa paixão, só que em outro canto =)

Esqueci de um detalhe do Sebrae: ao entrar no ALI, sabia que era um projeto que tinha data para terminar – 2 anos -, sem possibilidade de renovação. Não é todo mundo que tem essa informação, então, o mínimo que eu tinha que fazer, era me programar. E foi isso que eu fiz! Um pouco antes de finalizar meu ciclo, fiz um curso na Perestroika para abrir meus horizontes e aí a vida foi para uma nova fase.

Na Perestroika, além de ter tido contatos de alta qualidade, haja visto Tiago Matos, Dudu Obregon, Gustavo Ziller, e companhia limitada, tive a oportunidade de apresentar um projeto na banca final do curso, o que acabou me rendendo um novo caminho na vida, o caminho de aceleração de Startups. Hoje em dia, dois anos depois, tenho um prazer enorme de ser professora no curso de Empreendedorismo Criativo, o curso que entrei como aluna.

Foi na banca que conheci o Aluir Dias e, depois de algumas brigas, (que quem me conhece e conhece a peça vai entender), fizemos uma grande parceria. Conquistei meu espaço no meio com a ajuda de muita gente (que não vou me atrever a citar e esquecer o nome de alguém). Fiquei então à frente da Aceleração da Techmall por 2 anos e tive a oportunidade de me envolver com o Lemonade, um programa de pré-aceleração da Fundepar, de metodologia da Techmall, que está entre os top 20 pela Global Accelerator Report 2016.

No ano de 2016, a Techmall ganhou o edital para ser a aceleradora do SEED, um programa do Governo de Minas Gerais. Outro desafio gigante, novas oportunidade de contato e mentorias com pessoas cada vez mais fora da curva, conexões inimagináveis, comunidade do San Pedro Valley mega engajada e eu envolvida em todas as pontas. Foi aí que me aproximei mais ainda de uma startup, nessa época de uma maneira completamente despretensiosa, que foi a galera do Méliuz. Israel, Ofli e Marques sempre contribuíram tanto com Lemonade, quanto com Techmall, mas no SEED, por meio de uma guerrinha avassaladora de bolinhas, conheci vários loucos dessa grande família.Mas essa história rende um outro post inteiro.

E esse contato acabou me levando até o Méliuz. Será que eu estava na hora certa no lugar certo? Não sei dizer ao certo, só sei que ao finalizar o SEED, lá fui eu colocar em prática mais uma paixão da minha vida, viajar sozinha. Um pouco antes de partir, recebi uma ligação de uma pessoa que sempre admirei, o Rafael Dias, para me contar que ele estava em um novo desafio na vida, precisando de um help e perguntando se poderíamos conversar.

Pulando uns pequenos detalhes, na mesma semana, eu estava sentada no Méliuz, uma startup que sempre admirei, conversando com um dos profissionais que sempre tive a vontade de ter maior troca, com um desafio na mão e tendo a possibilidade de fazer parte dessa história. Será que a cabeça pirou? Naquele momento estava traçando um outro caminho, eu estava feliz, mas depois daquele dia, nenhuma noite de sono foi tranquila, nem mesmo na minha viagem.

Obviamente, fui para viagem com a cabeça pilhada para começar logo o novo desafio – pouco ansiosa? Enfim, meu primeiro emprego CLT, quase morri do coração! Eu estava com um pé atrás, confesso, mas isso é outro post (falei que falo muito). Comecei no time comercial, que seria minha porta de entrada para o novo sonho. Depois de 1 mês, recebi uma ligação do próprio Rafa me falando que existia um novo desafio na área do Marketing, que a missão era gigante – eu iria gerir, à distância, projetos em diferentes cidades. Ele me disse que sabia que seria uma grande oportunidade e que se encaixava no meu perfil. E eu? Eu confiei! Três dias após a ligação, assumi esse novo papel,que realmente era o que haviam me falado. Mas além do frio na barriga, o que mais me entusiasmou foi que a partir daí eu entrei mais para dentro da casa. Nesse desafio tive o Roberto Cury como meu gestor, uma oportunidade que queria desde que comecei, além de estar próxima de todos da grande família (a galera é realmente fora da curva).

Não preciso nem falar do aprendizado né? Foi nesse momento que entendi melhor como a empresa funcionava em suas minúcias, interagi com todas as áreas, com todo mundo que faz o negócio acontecer. Na Méliuz, vivemos o sonho do JK, sabe? 50 anos em 5. Se passaram 3 meses e parecia que eu tinha aprendido por anos e conhecia as pessoas da empresa a minha vida inteira.

Nesse período, comecei a me envolver com a área produto sem perceber, mas tinha gente que sim (mais de uma pessoa nesse caso). Além das funções em marketing, eu lidava com projetos de produto como, geofences, painel dos parceiros, categorização, backoffice, integrações, pois eram produtos que resolveriam lacunas do setor em que eu estava atuando e dos usuários.

Por quê contei essa última parte? Porque foi a partir daí que cheguei onde estou. Hoje estou como Product Manager. O desafio é gigante, a gestão é matricial, trabalho com uma equipe altamente capacitada. As metas são ousadas, as expectativas são super elevadas, a ambição é gigante e a promessa é maior ainda. São novas tecnologias, todo dia é dia de trabalhar com ASO, entender melhor as particularidades das plataformas, comportamento do consumidor, entender um pouco sobre documentações, SDK, APK, desenhar novas sprint, priorizar demandas, garantir que todos da empresa estejam alinhados, interagir com outros PMs, extrair dados das ferramentas, instrumentação, installs, churn, cliques, DAU, Google Play, iTunnes Connect… ai, cansei, coisa demais!! Mentira, cansei nada! Estou só começando e aproveitando pra confessar de novo: nunca estive tão entusiasmada e com sangue no olho. A satisfação é maior a cada dia, a equipe de Manaus (temos uma equipe de engenharia na capital do Amazonas e eles são muito foda) faz com que cheguemos a outro patamar.

Para finalizar, eu acho válido mencionar que não me trouxeram para esse ponto que eu estou, eu cavei! Como? Listei minhas habilidades, mapeei meus objetivos, analisei as metas da empresa e, após isso, busquei entender se havia algum espaço em que eu poderia atuar para ajudar a empresa e que fosse do meu interesse. E cá estou! Se me permitem dar um conselho, aqui vai: não espere na cadeira para tomar decisões importantes, corra atrás dos sonhos e faça acontecer. Se der errado, sempre tem um futuro, sempre terão próximos passos, nada é tão planejado como a gente espera e garanto, pode ser bem melhor.

O futuro? O futuro não sabemos, mas a certeza é que nesses 14 anos de carreira já aprendi muito, já troquei com muita gente boa, ou bizarra como chamamos carinhosamente por aqui, e estou sempre pronta para novos desafios. E a certeza? É que estou feliz demais onde estou e, como o pessoal diz aqui dentro, se você acorda segunda-feira de manhã com preguiça de trabalhar é porque tem alguma coisa errada, e meu caso é beeeem diferente. Por isso sei que estou no lugar certo e fazendo o que eu mais quero! =)