Como superar a depressão pós-festival

Turismo
UPDATED: dezembro 26, 2016

Com o fim do Lollapalooza, muita gente está sofrendo daquela deprêzinha. Os festivais são o ápice da extravasão, da euforia e da felicidade. Tanto que, anualmente, o maior evento de música eletrônica do mundo – o Tomorrowland – reúne mais de 400 mil pessoas em uma pequena cidade da Bélgica.

Mesmo sendo mais tradicionais nos Estados Unidos e em países europeus, os festivais têm chegado ao Brasil de maneira louvável. Não é para menos! Em 2014, em apenas 47 segundos, os brasileiros compraram 68 mil ingressos para o Tomorrowland. Inclusive, no ano passado, o evento teve sua primeira edição em terras verde e amarela – 180 mil pessoas foram a Itú ver 187 DJs espalhados por sete palcos – e vai repetir a dose esse ano. Sem contar que também temos história e esta merece ser respeitada. Somos sede oficial (e inspiração) do segundo maior festival de música do mundo, o Rock in Rio, que já encantou mais de 8,2 milhões de pessoas em suas 16 edições.

Rock in Rio. Crédito: http://bloganak.com.br/wp-content/uploads/2015/10/dia15_fogos_credito_Raul_Arag%C3%A3o_I_Hate_Flash-4.jpg

Rock in Rio. Crédito: http://bloganak.com.br/wp-content/uploads/2015/10/dia15_fogos_credito_Raul_Arag%C3%A3o_I_Hate_Flash-4.jpg

Apenas no primeiro semestre de 2016, está prevista a realização (até onde consegui encontrar) de mais de 15 grandes festivais no Brasil (confira o calendário aqui). Com a internet – existem milhares de comunidades sobre o assunto, sites de busca de passagem e de eventos (como o festivalando), o Méliuz (!) – um pouco de dinheiro e otras cositas más, ir a festivais, mesmo que fora do país, tem se tornado cada vez mais possível. O amor e entrega dos festival lovers é tamanha que muitas pessoas planejam todas as suas viagens (férias, feriado, horas extras, bônus de aniversário…) em função dos eventos que acontecem pelo mundo. Para uns, os festivais são o que realmente importam na vida. É o caso da Gracielle Fonseca e da Priscila Brito, fundadoras do site Festivalando, que largaram seus empregos para se aventurar nesse mundo infinito, colorido e piscante dos festivais. “Fazer do Festivalando o nosso trabalho foi um jeito de dar um basta na licença sem prazo que tínhamos tirado da nossa vida e daquilo que amamos. Não foi fácil. (…) Foi preciso perder sono, gastar mais do que era preciso e entender que informação e planejamento deixam tudo mais fácil”, contam as meninas no site.

Com tantas opções e festivais no calendário, o que acaba pegando não é mais a dor de perder alguns eventos, mas a saudade que fica depois que eles acabam. Para te ajudar a olhar para a pulseirinha do último festival sem que seus olhos encham de lágrima, convidamos as meninas do Festivalando e outros aficcionados por festivais a compartilhar suas receitas para superar o fim do último, sempre mantendo acesa a expectativa para o próximo. Está pronto para seguir em frente?

Não há lugar como Paris… Festas para aproveitar enquanto seu festival não chega

Neste caso, podemos substituir a capital francesa por Boom (Bélgica), Budapeste (Hungria) ou Xangri-lá, no Rio Grande do Sul. Fato é que não existe lugar como o espaço em que os festivais são realizados, independentemente do país. Mas como não dá para morar nos campings, sempre é possível encontrar locais para matar a saudade e se transportar, mesmo que por pouco tempo, para o universo mágico dos festivais.

Para a Gracielle, ir aos shows das bandas preferidas ou daquelas que mais marcaram em um festival é uma boa opção. “Isso é uma beleza, pois vem todo aquele frio na barriga das lembranças, ou da ansiedade pela espera. Por isso, é sempre bom ficar ligado nos headliners dos festivais que te marcaram ou que estão na sua mira.”

Os eventos alternativos, menores, também são uma excelente pedida. “Aqui em Santa Catarina, temos vários festivais mais underground, com o mesmo tipo de ambiente que os gringos. São ótimas opções pra matar a saudade/entrar no clima”, conta Fabrício Valle, festival lover assumido.

Mas se a maré de shows não está para peixe, alguns clubs podem ajudar. Em BH, a Gra indica A Obra, a Matriz Casa Cultural e o Music Hall. Já para o Rodrigo Airaf, do Stereo Minds – site dedicado à música eletrônica no Brasil – o 5uinto, em Brasília, e o Fosfobox e a Cave, no Rio, são boas opções para matar a saudade. “Mas na real mesmo, na semana pós-festival, eu gosto de sair com os meus amigos para um bar ou algo assim, curtir a deprê que pode durar semanas.”

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Cave. Crédito: http://farm9.static.flickr.com/8230/8350142517_dec9ce6298_b.jpg

As after-parties de alguns festivais, “uma espécie de saideira depois do último dia do evento”, são a escolha da Pri para suprir a carência. Mas se a grana estiver curta, ela indica uma opção gratuita – sempre teremos a internet. “O mundo virtual também pode ser um ótimo ‘lugar’ para matar a saudade de um festival. No Facebook há vários grupos dedicados a um em particular (Lollapalooza, Rock in Rio, Tomorrowland). O pessoal sempre compartilha fotos, vídeos e, claro, a paixão por aquele festival.”

Músicas que confortam o coração

Fundamental para nos transportar para tempos distantes, a música tem o poder de acalmar ou de dilacerar um coração saudoso. No caso dos festivais, existem opções para todos os tipos de amantes: daqueles que ficam revivendo o passado até os que partem para um novo amor sem olhar para trás. “A playlist, no meu caso, tem sempre os artistas que mais marcaram os festivais anteriores, ou aqueles headliners dos atuais, ou ainda aqueles que não figuram no line up de um festival, mas eu sonho muito em ver (vai que a força do pensamento traz eles para o festival, hein?). Por exemplo, a minha playlist de dor de cotovelo de festival deste ano tem muito Candlemass, Airbourne, Satyricon, Motorhead, Judas Priest, The Darkness, Enslaved, My Dying Bride, etc… e tem também Hot Chip, Muse, Florence and the Machine, que foram artistas que marcaram muito os eventos que fui em 2015.”, conta Gra.

Para o Rodrigo, não existe receita. A única regra é se jogar nas playlists, ouvir suas músicas prediletas ou descobrir novos artistas: “O Spotify é a minha casa da música, ouço tudo por lá e tenho todos os meus álbuns favoritos salvos, como ‘Powers of Ten’ do Stephan Bodzin; ‘Days Gone By’, do Bob Moses; e o maravilhoso e popíssimo ‘Art Angels’, da Grimes. Tem um brasileiro chamado Jaloo que é muito talentoso, ele tem um álbum novo chamado ‘#1’ e mistura elementos de indie, pop e eletrônico experimental.”

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Crédito: http://e-djs.com.br/wp-content/uploads/edc-brasil-2015-foto-grande-fonte-googleImagens.jpg

Mas quem disse que só se pode ouvir música? A Pri vai além… “eu ampliaria ‘o que ouvir’ para ‘o que ver’. O YouTube é uma fonte inesgotável de bons vídeos de shows. Vale muito a pena assistir os after-movies dos festivais. Eles são sempre maravilhosos e dão uma boa amostra de como são o espírito e a experiência do evento.”

Anotou?

Para curar a ansiedade

Mas nem só de lembranças vive quem ama festivais. Afinal, com uma agenda lotada, muitas vezes nem dá para sentir saudade. Afinal, como diria minha avó, “rei morto, rei posto”. Mas para seguir em frente, é preciso estar preparado.

“Como festival é sempre uma boa oportunidade para conhecer novos artistas, é legal procurar no lineup aquelas bandas que você não faz ideia de quem são e ouvir o trabalho delas antes. Você pode acabar descobrindo um som maravilhoso e não vai deixar passar a chance de ver o artista ao vivo quando chegar o festival”, alerta Pri.

Essa prévia é fundamental, pois nos festivais existem muitos palcos e a escolha de onde ficar é dolorosa. Imagina perder o show mais foda da noite só porque você não procurou saber quem eram os caras? O Fabrício Valle tem todo um ritual para não deixar isso acontecer. “Quando as bandas vão sendo confirmadas, eu procuro conhecer os discos mais novos das bandas que gosto e também me aprofundo em bandas que eu gosto mas conheço pouco. Depois que temos a running order, eu mapeio os shows que quero assistir e, às vezes, sobra algumas lacunas de horário em que eu não conheço bem nenhuma das bandas que vão estar tocando. Aí eu procuro conhecê-las para decidir qual show assistir.”

Para se curar da depressão pós-festival, cada um tem uma receita especial, seja uma playlist, um artista ou uma caixa com todos os kits entregues nas edições passadas. Mas todos concordam em uma coisa: não se pode parar. Há sempre tem algo rolando! O lance é pesquisar. Vai que você dá a mesma sorte que a Pri? “Quando eu e a Gra já estávamos com nosso roteiro pronto para a primeira grande viagem do Festivalando (dois meses na Europa), sabíamos que tudo começaria nla Dinamarca, no Roskilde Festival. Ela me disse que de Copenhague era fácil e rápido ir para Malmö, no sul da Suécia – uma viagem de poucos minutos. Comecei então a pesquisar festivais no período que estaríamos por lá e acabei descobrindo o Popegoja, um evento gratuito em um parque da cidade. Resultado: incluímos um festival e um país a mais no nosso roteiro e gastamos pouquíssimo pra isso.”

Por isso, foco no que estar por vir. Vida que segue!
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:)

Jornalista apaixonada por idéias, palavras e viagens. Adora falar, beber e falar. Uma mistura de samba com funk, de praia com campo, de Dani com Ela mesma.
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